Janela Indiscreta

Este blogue foi recomendado pelo Pedro Rolo Duarte no seu programa Janela Indiscreta, da Antena 1, a 28-07-2010.
A história chegou ao fim, foram 42 episódios ao longo de meio ano. Mas ela está cá toda, é só consultar o arquivo do blogue, começando em Julho de 2010. Ou escolha o episódio que quiser, utilizando a caixa de pesquisa, aqui ao lado.
À laia de motivação, aqui fica a republicação do 1º Episódio.

31 de outubro de 2010

32º Episódio

Naquele serão, a sós com Chanel, disse-lhe:
“Sinto-me o responsável por toda esta embrulhada.”
“Não te esqueças de que não trabalhaste sozinho. Além disso, obrigaram-nos a isso.”
“Sim, mas, ao mesmo tempo, bem sabes como me agradou levar a cabo uma experiência destas.”
“Por outro lado, se tivesses liberdade de escolha, jamais utilizarias a herança genética do Hitler para esse efeito.”
Apesar de ela ter razão, não conseguia aliviar a minha consciência. A Chanel acrescentou:
“Demais a mais, o clone mandou eliminar uma parte dos seus próprios compinchas, que são de qualquer modo fanáticos e que dificilmente se adaptariam a uma vida fora deste bunker. Enquanto ele se der por satisfeito com isso, deixando o resto do mundo em paz...”
“Fanáticos, ou não, são seres humanos. Sempre me alegrei com o facto de ter nascido num tempo em que a pena de morte já não existe em nenhum estado americano. Além disso, quem sabe o que ainda passará pela cabeça da criatura? Quem me diz que ela amanhã não acorda a detestar médicos?”
“Nós não somos médicos.”
“E depois? Se calhar ele até gosta menos de cientistas!”
Quanto mais voltas dávamos, mais nos enrodilhávamos naquela armadilha. E, por mais difícil que me fosse aceitar o facto, e me é agora escrever sobre ele, um terço daquela comunidade foi mesmo reduzido a cinzas, incluindo os senhores Kornflock e Obskur, o mesmo que guardara o diabo do carvãozinho com tanto amor e dedicação! A maior parte dos executados eram alemães, a raça tão sagrada ao verdadeiro Hitler! Não deixava de ter a sua ironia... Mas, depois de viragem tão trágica nos acontecimentos, quem conseguia rir?

Três dias mais tarde, encontrávamo-nos de novo na Sala da Presidência, quando aquela criatura horrível fez saber que todos deveriam usar bigode! Mas não um bigode qualquer, tinha que ser um bigode ridículo como o dele!
Aquela ordem possuía pelo menos o condão de ser inofensiva. Pedi a palavra e declarei sorridente:
“Para isso, ninguém precisa de ser eliminado, não é verdade? Quem ainda não apresenta tão distinto bigode, só precisa de o deixar crescer. São apenas uns dias de paciência, meu Führer, até que...”
“E as mulheres, meu caro doutor?”
O meu coração disparou, qual atleta ao tiro da partida, suores frios esguichavam-se-me do cachaço. Gaguejei:
“Mas... mas o senhor não se atreveria a...”
“Ai não, que não me atrevo!”
“Mas...”, procurava um argumento forte, “mas isso significaria o fim da humanidade!”
O clone olhava-me sem perceber patavina e eu acrescentei:
“Extinguiríamos a humanidade! Tem que haver homens e mulheres para...”
“Acabou-se!” berrou ele, dando um murro na mesa. Depois, falou em tom de birra, como uma criança que quer fazer prevalecer o seu desejo à força, pelo que a repa se lhe descontrolou: “Não admito a existência de pessoas sem um bigode como o meu. Quem não está em condições de o ter, é por mim declarado como uma aberração. E será eliminado!”

5 comentários:

Pata Negra disse...

Eliminam-se as mulheres e toca a clonar para a espécie nã acabar? Mas, se amamhã morrermos que nos importa a continuidade da espécie?
Sempre gostei de ver uma mulher de bigode!
Um abraço pelo fim dessa alemanha

jota disse...

Livra! Mas quem consegue clonar um Hitler de um carvão, também consegue fazer crescer bigodes ridículos em mulheres, não?

antonio - o implume disse...

Mulheres com bigodes? Bem os portugueses estão safos, é o que não falta por cá...

Daniel Santos disse...

Clonaram a parte mais lunática do lunático.

Rafeiro Perfumado disse...

Ui, tanta Etelvina e Gertrudes do Bolhão que se vai safar!

Ah, e não considero os nazis seres humanos...

Beijoca!