Janela Indiscreta

Este blogue foi recomendado pelo Pedro Rolo Duarte no seu programa Janela Indiscreta, da Antena 1, a 28-07-2010.
A história chegou ao fim, foram 42 episódios ao longo de meio ano. Mas ela está cá toda, é só consultar o arquivo do blogue, começando em Julho de 2010. Ou escolha o episódio que quiser, utilizando a caixa de pesquisa, aqui ao lado.
À laia de motivação, aqui fica a republicação do 1º Episódio.

12 de setembro de 2010

18º Episódio

Ela olhou-me indignada, mas eu não evitei mais uma observação irónica:
“Além disso, não se preocupe. O membro em questão não ficará apto tão cedo.”
“Que piada! Pois digo-lhe já: foi a última vez que o senhor duvidou da minha capacidade profissional!” Levantou-se e acrescentou, de mãos na cinta: “Eu, meu caro Professor, sou a melhor coisa que lhe podia ter acontecido!”
Ao vê-la assim, de pé, perante mim, com os calções minúsculos, os collants de estrelinhas reluzentes e aquelas botas incríveis, confesso que me vieram os suores. Até gaguejei:
“A... a... acha?”
“Nem tenha dúvida! Vamos então fazê-lo?”
“Fa... fazê-lo? O quê?”
Rolando com os olhos, ela tornou a sentar-se.
“A clonagem, Professor.”
“Ah, sim... pois.” Aclarei a garganta. “Não temos escolha. Eu já fui ameaçado com câmara de gás e crematório.”
“Mas que criminosos sem imaginação nenhuma!”
“Trata-se de gente muito limitada, como era aliás de esperar. Alguns deles são mesmo… Como direi? Obtusos…”
“Caso consigamos dar vida ao psicopata, ele será tal como era e lembrar-se-á de tudo o que fez?”
“Quem sabe? Produziremos com certeza um adulto que terá o aspecto do Hitler. Mas, no que diz respeito ao seu estado psicológico, não estou em condições de fazer qualquer tipo de prognóstico. Os animais que eu e a minha equipa temos vindo a clonar são seres saudáveis, mas nunca nos disseram o que lhes passa pela cabeça.”
“E o projecto pode falhar.”
“Naturalmente. Mas, nesse caso, estes fanáticos vingar-se-iam. De nós, não sobraria nem um... oh, esqueça!”
“Tenho que lhe confessar algo, Professor.”
“Confessar?”
A Dra. Luninski colocou a sua cadeira ao lado da minha e inclinou-se na minha direcção. O meu olhar fixou-se compulsivamente no seu decote. Coisa que, e para utilizar a minha própria piada, me pôs instantaneamente apto!
Aquilo constrangeu-me. E muito me pasmou! Não costumo atingir um estado desses assim, como se me tivessem carregado num botão. Pertenço mais ao tipo de homem que precisa do ambiente propício. Além disso, sentia-me fraco. Só me ocorreu uma explicação: o maldito daquele cativeiro! Afinal, há duas semanas que eu nem sequer convivia com gente normal.

6 comentários:

antonio - o implume disse...

Tenho o mesmo problema do herói desta história, um estranho constrangimento sempre que espreito inadvertidamente o decote de uma garina, mesmo sem a absolvição de um cativeiro.

Hitler, como ser superior, não terá nada a ver com as experiências anteriores de coelhos e ratos clonados, certamente.

Kássia Kiss disse...

Ai os decotes...

Bem, a questão é mesmo essa: que tipo de mentalidade terá o Hitler clonado? Haveremos de lá chegar, prometo!

Aproveito para agradecer os comentários também dos posts anteriores. Durante o meu périplo pelo Alentejo, tinha acesso limitado à Internet, além de falta de tempo. Agora, surgirei com mais força ;)

Rafeiro Perfumado disse...

O que eu sofro nas reuniões a dois para não olhar para o decote que se abre perante mim. Algumas mulheres tenho a certeza que fazem de propósito, para nos perturbar. E conseguem!

Pata Negra disse...

Isto das duas uma: ou vai dar numa guerra mundial ou numa guerra de lencóis. Eu, entre uma trincheira e um decote, prefiro o decote!

Um abraço içado

Daniel Santos disse...

a pergunta que se impõe:

no quarto dele ou dela?

Tirando a pertinente questão, gostei de mais um pequeno pedaço.

O Guardião disse...

Quem precisa de um ambiente propício quando repara num decote ... ?
Cumps