Janela Indiscreta

Este blogue foi recomendado pelo Pedro Rolo Duarte no seu programa Janela Indiscreta, da Antena 1, a 28-07-2010.
A história chegou ao fim, foram 42 episódios ao longo de meio ano. Mas ela está cá toda, é só consultar o arquivo do blogue, começando em Julho de 2010. Ou escolha o episódio que quiser, utilizando a caixa de pesquisa, aqui ao lado.
À laia de motivação, aqui fica a republicação do 1º Episódio.

5 de setembro de 2010

16º Episódio

A Dra. Luninski bebeu mais um pouco de água e prosseguiu:
“Assim se foram passando três anos. O Karl visitava-me regularmente e de todas as vezes prometia-me que a próxima seria a sua última viagem. No entanto, encontrava sempre um motivo para adiar a decisão definitiva. Ou era porque no momento recebia, por toda a Europa, propostas irrecusáveis de trabalho e andava sempre de um lado para o outro, ou porque alguma revista de moda alemã lhe oferecia muito dinheiro para fotografar certas modelos... eu sei lá. No início, acreditava nele, depois comecei a ficar desconfiada. Entretanto, acabara o meu curso, mas só encontrava empregos temporários e comecei a ter vontade de tentar a minha sorte na Alemanha.”
A Dra. Luninski suspirou, bebeu um grande gole de água e acrescentou:
“Há dois anos, porém, arranjei o emprego com que sonhava: um lugar definitivo no famoso laboratório do Professor Saturnino. O Karl também se regozijou e disse-me que estava prestes a vir para cá.”
Ela embatocou e eu opinei:
“Presumo que ainda não veio.”
“Nem virá, esse canalha!”
Em vez de dar continuidade à história, começou a chorar. Dei-lhe um lenço e esperei até que ela, entre soluços, prosseguisse:
“O tempo foi-se passando e ele, como sempre, não atava nem desatava. Até que me vi tão furiosa e desesperada, que há um mês me demiti!”
“O quê? Desistiu do emprego com que sonhara?”
“Desisti. Tinha a certeza de que o Karl me escondia algo e resolvi aparecer de surpresa na Alemanha, de armas e bagagens. Mas, quando ele me telefonou há dez dias, não me aguentei e contei-lhe tudo. Disse-lhe que lhe surgiria em casa... e que tencionava lá ficar para sempre.”
A Dra. Luninski havia controlado o choro. Atirou com o lenço para cima da mesa e prosseguiu furiosa:
“O Karl perdeu as estribeiras! Como é que eu me atrevia a demitir-me sem lhe ter dito nada? Então ele não tinha dito que queria vir para a América? Fartámo-nos de discutir ao telefone. Mas eu não cedi e continuei a preparar a minha viagem.” Respirou fundo. “O Karl telefonou-me há três dias para me dizer que tinha casado há um ano com uma das suas modelos!”
“Mas que canalha!”
“Foi o que eu disse.”
“Sinto muito... sinceramente.”
Ela recomeçou a chorar:
“O amor da minha vida gozou anos a fio com as suas modelos, enquanto eu só pensava nele. E, por ele, tinha eu dado cabo do meu futuro como cientista e investigadora num dos laboratórios de mais prestígio do país. Só queria morrer.”
“Compreendo. Mas sabe o que eu penso? Que tudo não passava de um momento de desespero. Você jamais se suicidaria!”
“Como pode dizer isso, Professor? Mal me conhece.”
“Olhe por si abaixo! Em vésperas de pôr fim à própria vida, você prepara-se para ir para a discoteca... de que maneira!”
Ela ergueu os ombros indiferente:
“Isto foi a Anita.”
“A Anita?”
“Sim, a minha amiga, que me queria animar. Disse-me que os homens que frequentavam esta discoteca eram mais picantes que piripiri. E eu pensei: porque não passar uma boa noite de sexo, antes de me mandar desta para melhor?”
“Realmente, não é mal pensado...”
“Entrei no carro e accionei logo o piloto automático, de maneira a que pudesse acabar de me pintar. Ao fim e ao cabo, eu raramente guio.”
“Tal e qual como eu.”
“Mas desta vez foi um erro.”
“Como assim?”
“Facilitei a vida aos raptores. Além do carro ir a uma velocidade lenta, parou, assim que o radar deu conta de um obstáculo. Os três tinham-me ultrapassado, apenas para parar à minha frente, sem mais nem menos, no meio da estrada. Se fosse eu a guiar, era bem capaz de me ter conseguido desviar.”
“Sim, talvez.”

4 comentários:

antonio - o implume disse...

Isto em mijinhas curtas de cachorro torna-se irritante. Precisamos de episódios mais redondos, que nos deixem um travo longo de sabor, um final que se prolonga e não algo interrompido bruscamente. Protesto.

Kássia K. disse...

Bem, eu comecei com episódios maiores, mas houve "protestos" (pois normalmente os leitores de blogs não têm paciência para textos longos) e a sugestão de mais pequenos, duas vezes por semana. Terei que mudar a minha estratégia outra vez?

De qualquer maneira é bom saber que a história te agrada tanto ;)

Daniel Santos disse...

está bom e com bom ritmo. Ali o apressado do meu amigo Implume que espere. Sim tem por aqui gente que aprecia a batida. Força!

O Guardião disse...

Em piloto automático só a selecção nacional, e os resultados também não foram os melhores.
Cumps