Janela Indiscreta

Este blogue foi recomendado pelo Pedro Rolo Duarte no seu programa Janela Indiscreta, da Antena 1, a 28-07-2010.
A história chegou ao fim, foram 42 episódios ao longo de meio ano. Mas ela está cá toda, é só consultar o arquivo do blogue, começando em Julho de 2010. Ou escolha o episódio que quiser, utilizando a caixa de pesquisa, aqui ao lado.
À laia de motivação, aqui fica a republicação do 1º Episódio.

18 de agosto de 2010

11º Episódio

Pois sim! A sra. Matrix Relot era muito mais burra do que eu imaginara. Acho que era mesmo a pessoa mais obtusa que eu conhecera em toda a minha vida. Deu-me cabo da paciência durante três dias em vão, até ia destruindo o carvãozinho que lhe era tão caro. À beira do desespero, perguntei-me se aquela gente doida me levaria ao ponto de eu desejar a minha própria execução. De qualquer maneira, constituía para mim um enigma como é que a Sra. Relot tinha chegado a técnica de farmácia… e aprendido a falar alemão!
Apesar de evitar ao máximo o contacto com o Sr. Kornflock, mandei chamá-lo. Assim que entrou no laboratório, ele quis saber:
“Então, como vai o trabalho?”
“Não vai.”
“Não vai?!”
“Lamento, mas a Sra. Relot não se adequa a este tipo de projecto.”
Notava-se que o comandante só com muito esforço conseguia controlar a sua ira.
“Ordenei-lhe que a iniciasse no procedimento. Porque não o fez?”
“Mas quem consegue ensinar...” Resolvi mudar de estratégia: “Ouça Sr. Kornflock, se o sucesso deste projecto lhe significa realmente alguma coisa, terá que me arranjar ajuda especializada.”
O comandante fixou-me durante longos momentos. Era-me impossível adivinhar-lhe as intenções, mas eu estava cansado demais para sentir medo.
Quando finalmente o homem falou, expeliu palavras completamente inesperadas:
“Devia cortar o cabelo, Professor. Não há nada mais ridículo do que um homem de melenas compridas!”
Deu meia-volta e deixou-me sozinho.
Assim passei o resto do dia. Ninguém me vinha dizer se devia continuar com o projecto, se iria receber ajuda, ou... se aterraria na câmara de gás, depois no crematório, para que “de mim não sobrasse nem um...” enfim.
Começou a minha pior temporada naquele bunker. Nem sequer podia procurar consolo no meu trabalho, pois, sem ajuda, não estava em condições de lhe dar continuidade. Anoiteceu (eu possuía um relógio e um calendário) e deitei-me, mas não consegui adormecer. Tremi toda a noite, à espera de ouvir as botas dos meus carrascos.
Eles não vieram. Mas, a partir daquele dia, as refeições não me eram trazidas por um dos meus raptores, como de costume. Tirando a bola chinesa, que mal abria a boca, eu costumava conversar com a Olga e o José Cebolo. A um deles, eu ter-me-ia atrevido a perguntar o que se passava. Mas assistiam-me agora pessoas sempre diferentes, que não me dirigiam palavra. Além disso, apercebia-me de ruídos estranhos, vindos de um dos quartos contíguos, como se andasse alguém a arrastar móveis! Não fazia ideia do que esses quartos continham e para que eram usados.
Assim se passaram três longos dias, sem que ninguém falasse comigo. Até ao segundo fim-de-semana no bunker.

5 comentários:

Marreta disse...

Devem estar para chegar reforços que vão ocupar os quartos contíguos. Mais uns raptos, talvez. E se calhar mais alguma surpresa.

Saudações do Marreta.

Pata Negra disse...

O Marreta quer é quartos contíguos, amarramentos e ovos kinder surpresa. Está bem assim Kássia, continua, cuidado com comentadores desconhecidos...
Beijos do meio da história

Daniel Santos disse...

criação de suspense... gostei.

antonio - o implume disse...

Será que estão a montar um salão de cabeleireiro no quarto contíguo?

Do carvão sempre se fez luz.

Rafeiro Perfumado disse...

Ruídos estranhos? O professor é mesmo naif, era pessoal a fazer sexo!