Janela Indiscreta

Este blogue foi recomendado pelo Pedro Rolo Duarte no seu programa Janela Indiscreta, da Antena 1, a 28-07-2010.
A história chegou ao fim, foram 42 episódios ao longo de meio ano. Mas ela está cá toda, é só consultar o arquivo do blogue, começando em Julho de 2010. Ou escolha o episódio que quiser, utilizando a caixa de pesquisa, aqui ao lado.
À laia de motivação, aqui fica a republicação do 1º Episódio.

21 de novembro de 2010

38º Episódio


Os membros da Presidência olhavam-se mais confusos do que nunca. Eu, pelo contrário, sentia a esperança crescer dentro de mim. O Sr. Cebolo respondeu:
            “Mas é claro que existe um mundo lá fora, meu Führer! Um mundo enorme, gigantesco, à nossa disposição. Não devemos perder mais tempo e...”
            “Então, onde estamos nós?”
            “No bunker, meu Führer! Quantas vezes já lhe dissemos? Encontramo-nos no bunker.”
            “No bunker!” repetiu a criatura, como se tivesse de repente encontrado o sentido da vida. “No bunker! Pois claro!”
            O que se passou a seguir, superou todas as minhas expectativas. Começou-se a operar uma transformação incrível no meu clone! Numa questão de segundos, rugas profundas cravaram-se no seu rosto, os olhos raiaram-se-lhe de vermelho e a repa descolou-se, caindo como que esgotada. Só com esforço a criatura conseguiu pousar as mãos em cima da mesa, tanto elas tremiam.
            “Mas que se passa consigo, meu Führer?” inquiriu o português consternado.
            Também eu não fazia ideia do que lhe tinha acontecido, mas a minha oportunidade havia finalmente surgido:
            “Eu sabia que era um grande erro prescindir do exame de rotina. O Führer precisa urgentemente de um medicamento, que eu, por acaso, trago…”
            “Cebolo!” Era a criatura que me interrompia, de voz tremente: “Ajude-me a regressar ao meu aposento!”
            “Sim... claro.”
            Lá se levantou, com a ajuda do português, mas aguentava-se tão mal nas pernas, que eu me preparei para também o ajudar. Era conveniente que ficasse junto dele, mas o Sr. Lacucaracha foi mais rápido. Apoiado no português e no mexicano, e sob o olhar consternado dos restantes, o clone deixou a sala. Eu segui os três. Chegados à porta do quarto, a criatura declarou:
            “Quero ficar sozinho. A situação é muito grave, meus senhores. Preciso de reflectir.”
            O Sr. Cebolo trocou um olhar comigo e propôs finalmente:
            “Não seria melhor que o seu médico o examinasse, meu Führer?”
            “Não! Ninguém ficará comigo, preciso de sossego absoluto. Trancarei a porta por dentro. E você, Cebolo, velará para que esteja sempre alguém a vigiá-la do lado de fora!”
            “Às suas ordens, meu Führer.”
            Ao contar à Chanel o sucedido, lamentei não lhe ter dado a injecção, mesmo contra a vontade dos outros, mas ela disse:
            “Foi melhor assim. Desconfio que se a injecção o matasse, tu não te perdoarias nunca.”
            “Pois sim, mas no fundo não estamos muito melhor do que o que estávamos. Mantém-se a imprevisibilidade da criatura, continuamos a recear o futuro.”
            “Bem, ela agora está realmente doente, o que fortalece a tua posição de médico perante os membros da Presidência.”
            Havia uma certa razão nas suas palavras. Mas a verdade é que, nem eu, nem ninguém, fazia a mais pequena ideia do que teria provocado a mudança no clone.

6 comentários:

antonio - o implume disse...

A besta enfrenta os seus medos...

AFRICA EM POESIA disse...

Gostei de passar aqui
Deixo um pouco de mim...


CAMINHAR


Caminhar e parar
Chegar e não chegar...

Caminhei...
E cheguei...
Parei...
E não cheguei...

A contradição
Do certo e do errado
O caminhar e o parar...

É preciso caminhar...
É preciso agir...

Só assim
Cheguei e consegui!...

LILI LARANJO

Daniel Santos disse...

réstia de memorias de um passado longínquo.

Pata Negra disse...

Mas a verdade é que eu não faço a mis pequena ideia do onde é que isto vai parar: ou morre o clone ou vamos mesmo precisar dos três submarinos!
Um abraço das imediações do bunker

Rafeiro Perfumado disse...

Nunca se perdoaria por ter morto o clone?!? Pois claro, isto de matar ditadores sanguinários é sempre motivo para crises de consciência...

Fátima disse...

Um beijo menina, voltarei aqui para le-la com calma.
com carinho
Fátima