Janela Indiscreta

Este blogue foi recomendado pelo Pedro Rolo Duarte no seu programa Janela Indiscreta, da Antena 1, a 28-07-2010.
A história chegou ao fim, foram 42 episódios ao longo de meio ano. Mas ela está cá toda, é só consultar o arquivo do blogue, começando em Julho de 2010. Ou escolha o episódio que quiser, utilizando a caixa de pesquisa, aqui ao lado.
À laia de motivação, aqui fica a republicação do 1º Episódio.

5 de dezembro de 2010

42º e último Episódio

Não vimos mais nenhum dos nazis, que permaneceram nos seus quartos, pelos vistos, a fim de se suicidarem. Não estávamos com vontade de o confirmar. Éramos finalmente livres! Apressámo-nos a alcançar a garagem, onde se encontravam mais de vinte automóveis à nossa disposição.
            Combinámos irmos directos à polícia, esclarecer a nossa situação e acalmar todos aqueles que há quatro meses nos procuravam. Mas não revelaríamos toda a verdade. Não havia o mínimo vestígio do clone, podíamos por isso dizer que não tínhamos conseguido concluir o projecto com êxito. Revelássemos nós que havíamos clonado um ser humano a partir de vestígios encontrados num carvãozinho com mais de 150 anos, poríamos o mundo em convulsão e todos iriam exercer uma enorme pressão sobre nós, a fim de que repetíssemos a experiência. E não nos achávamos capazes de o fazer, pelo menos, por agora.
            Combinámos então dizer que os nazis tinham passado o tempo em discussões e disputas, eliminando-se mutuamente, enquanto nós fazíamos os possíveis por concluir o projecto. A polícia que fosse verificar se eles estavam realmente todos mortos.
            Ainda escolhíamos um carro, quando eu reparei que algo inquietava a Chanel e perguntei-lhe:
            “O que te preocupa?”
            Depois de uma curta hesitação, ela respondeu:
            “Será que a nossa relação também irá funcionar lá fora, no mundo verdadeiro?”
            “Porque não?”
            “Eu até nem sou supersticiosa. Mas às vezes pergunto-me se realmente poderá dar certo. Já pensaste em que circunstâncias nos conhecemos? Essa ideia não nos irá perseguir e apoquentar todo o tempo? Ou simplesmente trazer azar?”
            Reflecti um pouco e repliquei:
            “Tínhamo-nos conhecido de qualquer maneira, mesmo que não tivéssemos sido raptados.”
            “Achas?”
            “Claro. Não te tinhas demitido? E já não tinhas sido contactada pelo Fabrício? Ora, quando estes malucos me sequestraram, a vaga que o nosso colaborador deixara livre ainda não estava preenchida.”
            “Esqueces-te de que eu tencionava pôr fim à minha vida?”
            “Nunca o terias feito. Na altura, estavas ferida, desesperada, mas terias superado a crise. Tu não és do tipo que se suicida.”
            Ela respirou fundo.
            “Tens razão. Eu tinha dado a volta por cima, nem que fosse só por causa do meu trabalho. Como tu agora sabes, tenho inúmeros projectos na cabeça.”
            “É quase certo que cedo resolverias procurar outro emprego e que, entre outras pessoas, tornarias a contactar o Fabrício. E ele não perderia a oportunidade de te ganhar para o nosso laboratório.”
            A Chanel abraçou-me e disse:
            “A esta hora, já estávamos juntos. Quer isso dizer que fomos feitos um para o outro?”
            “Claro que sim.”
            Beijámo-nos e quando a Chanel me tornou a encarar, tinha aquele olhar que eu já tão bem conhecia. Mas declarei:
            “Oh querida, tem que ser agora? Não me apetece nada voltar ao nosso quarto, queria deixar o maldito deste bunker o mais depressa possível. Pensas que tem alguma piada fazer amor numa catacumba cheia de cadáveres? Além disso, quem sabe se esses doidos estão realmente todos mortos? Quem nos diz que algum deles não muda de ideias e, ao ver-nos...”
            “Mas que estás para aí a dizer? Quem é que falou em regressar ao quarto? Não me disseste que não fazes questão em conduzir?”
            “Disse.”
            “Eu também não. Além disso, demora uns quinze minutos a percorrer o túnel que nos leva lá fora. Por isso...”
            “Ligamos o piloto automático e...”
            “E aproveitamos o tempo da melhor maneira que eu conheço!”
            Entrámos no primeiro carro que vimos à nossa frente. Assim que ligámos o piloto automático e programámos a rota, mudámos para o banco de trás, aos guinchos, como dois teenagers. O automóvel arrancou, enquanto eu despia a blusa à Chanel. Com o soutien eu já não tinha problemas e ela nunca os tivera com o cinto das minhas calças. Assim, ela...
            Não, não vou descrever mais este momento íntimo.
            É pena?
            Bem, eu presumo que você, cara leitora ou caro leitor, está familiarizado com procedimentos deste tipo e que possui um mínimo de imaginação.
            Não lhe chega imaginar?
            Nesse caso, só há uma solução: passar à acção! E é já!

11 comentários:

antónio - o implume disse...

LOL! Acabar um assunto tão sério como trazer à vida o dominador do mundo desta forma! Em puro deboche. Já não há respeito!

Kássia Kiss disse...

;-)

antonio - o implume disse...

Esqueci-e de perguntar: e agora?

Daniel Santos disse...

gostei da moral final do texto, passar à acção.

Kássia Kiss disse...

Agora, implume, só Andanças. Mas ainda aqui venho desejar as Boas Festas ;)

É isso mesmo, Daniel :)

jota disse...

Gostei da maneira como terminou, mas fiquei a pensar sobre os projectos da Chanel... sobre o regresso à realidade... sobre o mundo onde eles vivem...

O Guardião disse...

Esperando que se entretenham com coisas interessantes como as que faziam no final deste último episódio, estes dois desistam de vez de clonar seja quem for...
Bom domingo.
Cumps

Rafeiro Perfumado disse...

Só a parte de ser aos guinchos é que me preocupou. Tens a certeza que não ia nenhum nazi lá atrás?

Pata Negra disse...

Tal como os "hitleres", o amor para existir tem de ser feito. Terminada a história, se pudesse seguiria a tua sugestão mas estou sozinho e não me chega imaginar.
Um abraço e até à próxima história - estamos cá para isso!

fallorca disse...

E mainada!

Zé Povinho disse...

Terminou em beleza, com a passagem do clone e com a passagem à acção dos dois sobreviventes.
Abraço do Zé